Uma Fadista no País do Samba: Cuca Roseta Lança Álbum Inteiro Dedicado à Música Brasileira e Encanta com Emoção, Poesia e História
- Da redação
- 11 de abr.
- 3 min de leitura
Com Zeca Pagodinho, Seu Jorge e Zé Renato, fadista portuguesa cruza o Atlântico com o coração aberto e entrega um tributo apaixonado ao Brasil, repleto de clássicos, pérolas escondidas e canções inéditas. É o fado que samba — e a MPB que flutua em versos vindos do Tejo.

Se existe algo mais poderoso que a música para unir culturas, desafiar fronteiras e emocionar corações — eu ainda não descobri. E é exatamente isso que faz de “Até a fé se esqueceu”, o novo álbum da cantora portuguesa Cuca Roseta, uma verdadeira travessia atlântica de sensações. A fadista, que carrega nas veias a alma do fado, mergulha de cabeça na essência da canção brasileira e entrega um trabalho de tirar o fôlego, feito com reverência, sensibilidade e, acima de tudo, amor.
Com lançamento marcado para o próximo 11 de abril nas plataformas digitais, o disco é uma verdadeira celebração da música brasileira em todas as suas eras e nuances. Dos sambas-canção aos sambas modernos, das serestas nostálgicas às bossas cool, tudo está ali — repaginado, respeitado, revivido. E com participações de peso como Zeca Pagodinho, Seu Jorge e Zé Renato, o álbum já nasce com ares de antologia.
De 1937 a 2024: um passeio musical cheio de alma com Cuca Roseta
A viagem começa no longínquo 1937, com a seresta Arranha-céu (de Silvio Caldas e Orestes Barbosa), numa interpretação tocante de Cuca ao lado de Zeca Pagodinho, nosso eterno rei do subúrbio, que aqui se reinventa como príncipe da nostalgia. O piano moderno e o acordeão melancólico se encontram como velhos amigos — e somos levados por essa ponte emocional entre Rio e Lisboa.
Em seguida, desembarcamos em 1946 com o clássico Saia do caminho, um samba-canção lançado como “lado B” por Aracy de Almeida, mas eternizado por nomes como Miúcha, Gal Costa, Nana Caymmi e tantas outras. Cuca resgata a canção com o mesmo carinho de quem desenterra uma joia de família. E ela brilha, ao som do acordeão de Marcelo Caldi, que assina os arranjos de boa parte do disco.
Já na sofisticada Sem você (1958), de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, o fado e a bossa-nova dançam de rosto colado. É como se Amália Rodrigues e João Gilberto se encontrassem numa esquina mágica do Leblon com o Bairro Alto. E você, caro leitor, estará lá com eles, embalado por essa poesia cantada.

Um álbum que é abraço — e manifesto de amor ao Brasil
“Até a fé se esqueceu” não é só um título. É um sentimento. É também a faixa inédita composta por Zé Renato com letra da própria Cuca — e que tem participação vocal de Seu Jorge e violões refinadíssimos de João Camarero. Um single de tirar o fôlego, lançado em 2023 e que agora batiza o disco como um símbolo de união, de fé (mesmo quando ela falta) e de amor pela canção.
A artista — que já trabalhou com nomes como Ivan Lins, Djavan e Nelson Motta — não veio ao Brasil apenas como visitante. Ela chegou com a chave da casa, tirou os sapatos e sentou-se no sofá da nossa memória musical. Foi vasculhar os discos antigos, abriu as janelas da saudade e deixou o fado tomar um cafezinho com a MPB.
Música como elo de culturas irmãs
Em tempos de muros e divisões, um álbum como esse é quase um manifesto: somos um só povo, uma só música, uma só emoção. De Mistérios (de Maurício Maestro e Joyce Moreno) ao clássico Não tem solução (de Dorival Caymmi), passando por Dzarm, de Jorge Ben Jor, e Chama acesa, de Zé Renato e Paulinho Moska, Cuca nos lembra que Portugal e Brasil sempre cantaram em harmonia — ainda que separados por um oceano.
E, falando em oceano: essa ponte luso-brasileira que Cuca constrói com acordes e afeto é mais que simbólica. É real. É necessária. É linda.
E agora, Brasil?

Cuca Roseta fará uma minitemporada de shows no Brasil a partir do final de abril, com datas e cidades ainda a serem divulgadas. Prepare-se para se emocionar ao vivo com essa artista que canta com a alma — e que faz de cada palavra uma celebração.
Ela não veio apenas visitar. Veio ficar. Veio cantar. E, principalmente, veio lembrar que o que nos une é infinitamente maior do que aquilo que nos separa.
“Até a fé se esqueceu” estará disponível a partir de 11 de abril nas plataformas digitais. Prepare seu coração e seus fones de ouvido. Porque essa viagem... ah, essa viagem, vale cada nota.
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